"O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente"



Confucio



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um Exemplo de Vida

Aos setenta e nove anos dona Carlota era um exemplo de vida. Querida por todos no condomínio e em toda a vizinhança. Apesar de toda a sua fragilidade,era incansável. Ela e sua inseparável bengala de madrepérola. Os cabelos branco-azulados eram sua marca registrada.Vaidosa,não saía de casa sem seu colar de pérolas,herança de uma tia solteirona. Estava sempre de saia e casaquinho,com blusinha de babadinho por baixo. O batonzinho discreto também não podia faltar. Um charme,a dona Carlota.
Aposentada,viúva e sem filhos,despertava a compaixão dos amigos que sempre se prontificavam a lhe pagar as contas atrasadas. Nas reuniões de condomínio, dona Carlota nunca era cobrada e,com lágrimas nos olhos,agradecia tanta generosidade. Devota de Santo Antonio,estava sempre disposta a ajudar Padre Sezefredo, fosse durante as missas,na catequese das crianças,na organização do bingo.Mas o bendito reumatismo e o peso da idade não lhe permitiam ajudar como desejava,o bondoso padre sempre a dispensava das tarefas mais árduas e, apiedado de sua condição, sempre lhe reservava uma pequena parte do dinheiro arrecadado na igreja.Dona Carlota sempre dizia que era a mais feliz das criaturas por ter encontrado em sua vida pessoas tão bondosas.
Tinha também ótimas relações com os jovens do prédio onde morava que não se furtavam a carregar suas compras e alguns até dispensavam alguns minutos para escutar as histórias que ela contava,do tempo em que era mocinha,do tempo em que seu saudoso marido,o Major Ariovaldo,era vivo. Bons tempos,dizia,bons tempos...
Mas o que dona Carlota não sabia era a surpresa que os amigos lhe preparavam por conta de seu octogésimo aniversário. Fizeram uma reunião e arrecadaram entre os condôminos e paroquianos uma grande soma em dinheiro. Decidiram que o melhor era fazer uma comemoração mais simples e dar o dinheiro à dona Carlota,para que ela pudesse pôr a vida em ordem,sem precisar recorrer aos amigos para sobreviver.
Quando recebeu o cheque das mãos do síndico dona Carlota quase enfartou,nem que vivesse mais oitenta anos poderia agradecer! Foi uma noite inesquecível para todos.
Cansada porém feliz,dona Carlota despediu-se dos amigos, já era hora de velhinhos estarem na cama,brincou. Acompanhada por um cortez vizinho até à porta de seu apartamento,agradeceu mais uma vez e entrou.
Fechou a porta e na segurança do seu lar,atirou a bengala longe e se jogou no sofá. Porcaria de meião! Arrancou as botinhas e as pesadas meias e mexeu os dedos antes aprisionados,com belas e bem tratadas unhas vermelhas. Tirou aquela roupa toda e ficou só de corpete de oncinha. Colocou uma salsa pra rolar na vitrola e saiu rebolando. Tomou uma generosa dose do seu conhaque preferido.
Espichou-se em sua chaise long de veludo vermelho. Acendeu um charuto e deu uma longa tragada. Pegou seu iPhone e ligou para a irmã:
- Aí Carmela, arruma as tralhas. Vamos pra Vegas!


domingo, 1 de agosto de 2010

Como diria...


... meu tio Ambrósio









A vida...é um picolé!



Aproveita cada lambidinha



Aprecia cada bocadito



Pois o tempo passa



E sobra só o palito!















NOTA: O poemitcho acima,de autoria de meu estimado tio Ambrósio,foi extraído de seu livro "Padeiro & Pensador". Os três exemplares editados encontram-se à venda na banca de jornal do seu Osório.





















PS:A banca fica em frente à padaria.NÃO TEM COMO ERRAR!!






















































Grata pela atenção.



( tô levando 10%,vai lá!!!)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma Questão de Eficiência ...


Eu fico um tanto indignada quando certas autoridades públicas tentam justificar o injustificável. Quando o assunto é violência urbana são as mais variadas desculpas, argumentos estapafúrdios.Não poupam criatividade e cinismo. Mas há uma tese defendida por alguns que realmente me intriga.Já ouvi,mais de uma vez, essa história que o bandido é violento quando é despreparado. É sério! Já faz algum tempo,assistindo a um telejornal, uma autoridade de segurança pública de uma cidade do interior de São Paulo tentava explicar o aumento da violência em seu município,em especial,o aumento do número de latrocínios.Depois de muitos argumentos ele terminou a entrevista dizendo: "e também tem o fato de o nosso marginal ser um marginal despreparado".
Despreparado tipo...amador?
Fiquei imaginando que raios seria um marginal "bem preparado".
Será que sob a ótica dessas autoridades,talvez, o bandido "profissional" seja menos violento?
Hum...então vamos educar "nossos" marginais!!
Que tal umas aulinhas ? Vejamos: etiqueta e comportamento,
noções básicas de cidadania, língua portuguesa(afinal a vítima-cliente tem que entender o que ele está dizendo), espanhol e inglês (para bem atender o turista assaltado), matemática financeira, conhecimentos gerais e um pouco de cultura inútil.
Eles também poderiam estagiar pra adquirir experiência.
O nosso marginal teria,então,condições de exercer sua profissão devidamente preparado. Fiquei só imaginando o dito cujo abordando um cidadão no semáforo:
- Boa noite,senhor. Isto é um assalto.Queira,por gentileza,
desocupar o veículo. Sem pressa,sem pânico,assim,obrigado. As chaves,por favor,obrigado. Tem seguro? Não? Eu tenho aqui um cartão do meu cunhado,corretor muito honesto. Faça um seguro para
o próximo assalto,senhor. Que é isso,não precisa agradecer! Estamos aí pra isso.Agora,por gentileza,queira depositar seus pertences na sacolinha. Relógios,celulares, MP3 e afins,cartões de bancos. Pode anotar as senhas aqui no canhoto,obrigado. O Rolex á falso?? Desculpe-me,mas se for falso vou ter que denunciar.Pirataria é crime!
Já pensou que maravilha? O sujeito poderia até ter um crachá com um número de telefone para contato com a mensagem:Como estou assaltando?
Afinal,controle de qualidade é tudo!
Poderíamos exportar assaltante top de linha do mesmo jeito que exportamos jogador de futebol. Até o turismo se beneficiaria. Nosso slogan poderia ser: Seja assaltado no Brasil e sinta a diferença!
Vai ver o tal secretário está certo, talvez seja tudo uma questão de eficiência.
Francamente...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Todo o pudim ao povo!!

Todo o pudim ao povo! Urrava a plebe ensandecida,acampada nos belos e intermináveis jardins do palácio.O alvoroço lá dentro era total.A rainha Marisa Antonieta, atarantada feito uma barata pra lá de tonta, não entendia tamanha revolta. Qual é o pobrema dus brioche?? Cala a boca,Marisa!! Esbravejava o rei Luiz LI. A bolsa-brioche não colou! O povo quer pudim,criatura!!
O séquito de puxa-sacos já debandava, ora para a esquerda, ora para a direita, embora todas as direções levassem para o mesmo buraco.
Apenas o carrasco, sempre tão indiferente, afiava ,com carinho, as lâminas de sua guilhotina,esperando o resultado da balbúrdia.
E o “exército” do povo avançava! A rainha perdeu o perucão e o rei,até as ceroulas. Os poucos soldados que não fugiram ao primeiro sinal de perigo tentavam,a todo custo, proteger os monarcas e embarcá-los na carruagem Horse-Force One, uma “máquina” de última geração, que o rei Luiz LI arrematou por uma pechincha quando os bens daquele mafioso internacional,traficante de rapé, foram leiloados.
Enfim, os revoltosos derrubaram os grandes portões do palácio e sob o comando de sua líder,Lady Heloísa Lenha (na fogueira...) fizeram prisioneiros, o rei e a rainha.Foram,então,levados para a praça pública onde ficava a guilhotina e seu carrasco, sempre a postos para qualquer eventualidade.
Lady Heloísa começou o seu discurso de praxe. Aquela velha história de gangues partidárias e blá,blá,blá....Até seu assessor interrompê-la gentilmente.Vamos logo com essa decapitação aí,dona Lenha! Vai começar a decisão da Copa ,cacete!! Um tanto frustrada,Lady Heloísa deu a ordem para a execução.
E quando tudo parecia perdido para Luiz LI e Marisa Antonieta,surgia nas cercanias do palácio, o poderoso exército de Dom Chaves Chapolin Primeiro & Único! E para a surpresa geral, vinha acompanhado pela real cavalaria do Imperador Barato Obina Ex-Verdão! Mas,hein o quê??? Mas são dois reinos inimigos!!! Inimigos de morte!! Quem explica????
Pausa para reflexão: isso só comprova a tese de que interesses comuns unem os piores inimigos, ou aquela outra “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” ou ainda ...ah, é tudo farinha do mesmo saco,pronto!
Os rebeldes bem que tentaram resistir mas não houve jeito. Foram dominados pelas forças de coalizão. O carrasco, que não por acaso chamava-se Julius Serra,já tava impaciente. Qual é a cabeça? Qual é a cabeça,porra???
E numa trágica e irônica reviravolta do destino,Lady Heloísa Lenha foi “eleita” para perder o lindo pescocinho. Sim, porque o assessor já tava lá no Soccer City enchendo a cara de cerveja mas com garrafinha de plástico,que fique claro!
E quando tudo parecia perdido para a dona Lenha (sim,você já leu essa frase...) eis que surgia lá no alto da Cordilheira das Antas, uma figura grotesca!
É um pássaro? Um avião? Uma porpeta?? A jabulani!!!!
Nãããão!!! É o Garoto Toucinho!!!
E veio rolando montanha abaixo, aniquilando com todo o exército de Chaves Chapolin e Barato Obina!
A galera vibrou mais do que com um gol do Luiz deudeombros Fabiano!! Lady Heloísa foi às lágrimas de tanta emoção e o carrasco deu uma bica na guilhotina ,já com o saco cheio dessa história.
Garoto Toucinho, o defensor dos fracos e oprimidos, surgia para impor a justiça! A igualdade, a fraternidade e a ....ops. Mas,o que é isso? Luiz LI levando um lero com o Toucinho?
Pois é,meus amigos,a última coisa que a dona Lenha viu antes de perder a cabeça foi o sorriso amarelo na cara gorda do herói. Foi mal,dona Lenha,mas quem resiste a um suprimento vitalício de lingüiça calabresa?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ah,jabulani...


Ela entrou. Todinha. Mas o juiz não validou o gol.Se o jogo virasse empatado a história teria sido outra, afirmam os ingleses. A Alemanha venceria da mesma forma pois estava melhor,retrucam os alemães. O fato é que nunca saberemos. Mas o erro foi capital. Impossível não se lembrar de 1966. Quando o jogador inglês chutou,a bola não entrou e o juiz “viu” o gol. Mais um erro capital que decidiu um título. Mas não é incrível que a história se repita ,mesmo que de maneira inversa, tantos anos depois? E num lance praticamente igual. São situações que só o esporte,especialmente,o futebol,consegue reproduzir. Aqui em casa, em nossas conferências “jabulônicas”, há quem diga que isto nada mais é do que a lei da compensação,mesmo que quarenta e quatro anos depois. Mas também há quem diga que um erro nunca justifica o outro. E a discussão acalorada se estende e ultrapassa os limites do esporte e da mera competição. Nos pegamos “filosofando” sobre a vida, sobre o que é certo ou errado e por aí vai. Fantástica, a magia do esporte! Quanto ao jogo de hoje, isto é assunto para vários dias. O que estou dizendo? Isto é assunto para vários anos. Décadas! Ou não é verdade que todas as vezes que Alemanha e Inglaterra se enfrentam, alguém se lembra do gol que não foi? De agora em diante,terão mais este jogo para lembrar. De certa forma, aquela dívida foi paga.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Urbanóide


Barulho de televisão
Buzina de caminhão
Trovoada de verão
Avenida em ebulição
E essa dor de cabeça insana
Que me deixa enjoada

Um galo perdido no tempo
Canta às seis horas da tarde
Ave Maria!
Hora do rush
Que não tem mais hora
Nesta louca cidade
Tanta pressa,tanta ansiedade!
Cinza,concreto,fumaça
Meu olho arde!

Telefone toca
Tocam os sinos
Alguém está ouvindo?
Seis horas
Ave Maria!
Alguém matou o galo...


terça-feira, 18 de maio de 2010

Bravo Rafa!!


Sempre achei que Rafael Nadal escreveria sua própria história. Nunca o considerei uma mera pedrinha no tênis do Federer! E aí está. Mais um feito e tanto para sua brilhante carreira. Recordista absoluto dos torneios Master 1000,com 18 títulos conquistados!

Eu nem discuto a excelência de Roger Federer, sem dúvida é o melhor tenista do mundo e,provavelmente,o melhor de todos os tempos. E é claro que gostando de Tênis, tenho que gostar de Roger Federer!! Não só por sua genialidade dentro das quatro linhas mas também por sua postura fora delas, seu caráter ilibado. Mas,pessoalmente,prefiro a fúria de Nadal.

O quê não lhe falta é garra e talento. E me encanta,sobretudo, sua lealdade dentro de quadra. E o respeito que demonstra por seu adversário,dando sempre tudo de si, não importando se do outro do lado está o melhor de todos os tempos ou alguém classificado no qualifying.

Eu só não concordo muito com esse apelido "El Toro". A julgar pela foto aí em cima, el guapo Rafael está mais para pitbull!!